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Lição 7 - Sardes, a igreja morta

COMENTÁRIO

introdução

A igreja se encontrava morta espiritualmente. Aparentemente estava bem, o seu exterior físico era excelente. No entanto, podemos definir essa igreja da mesma maneira que Cristo definiu os escribas e os fariseus: “Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt 23.27). A igreja em Sardes foi morrendo aos poucos até esvaziar-se por completo do Espírito Santo. Agora, já não passava de um cadáver. Mas aos olhos humanos, parecia bem viva. Isso nos lembra que costumamos julgar os outros pela aparência. Observamos o comportamento e tentamos entender os motivos. Mas Cristo conhece e julga os corações. Ele vê o caráter verdadeiro de cada crente e de cada igreja. Como nas outras cartas, aquele que estava no meio dos candeeiros conhecia perfeitamente as obras e os corações das igrejas. Qual não deve ter sido a surpresa dos discípulos ao quando esta carta foi enviada ao mensageiro da igreja em Sardes; ela contrariou totalmente a impressão popular dos discípulos. Apesar de sua aparência de uma igreja forte e ativa, Cristo observou as falhas e sabia que aquela congregação já estava quase morta. Caso não volta-se a viver, seria tomada de surpresa, como se fosse por um ladrão. Não são poucos os ministérios, hoje, semelhantes a Sardes. Estão no mesmo estado daquela, vivem do passado, pois já não existem no presente. Cristo se refere a essa igreja como uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A boa fama não ocultou a verdadeira natureza desta congregação dos olhos do Senhor. Mesmo sendo uma igreja morta espiritualmente, Sardes abarcava remanescentes fiéis ao Senhor. A carta à Igreja de Sardes é um aviso de Cristo para que não nos descuidemos da comunhão com Ele. Boa aula!

I. A IGREJA EM SARDES

1. A cidade de Sardes. Sardes, ou às vezes Sardis e Sárdis (Gr. Σάρδεις; “aqueles que escapam”), correspondente ao moderno vilarejo turco de Sart (província de Manisa), foi a capital da antiga Lídia – tendo sido depois a sede de uma província romana após as reformas administrativas de Diocleciano, continuando a pertencer a Roma depois e durante o período bizantino. Sardes localizava-se no fértil vale do rio Hermo e no sopé do íngreme monte Tmolo, distante cerca de 34 km ao sul daquele curso d'água. A importância da cidade era devida ao seu poderio militar, à sua relevante localização ligando o Egeu ao interior e a situar-se em um vale muito fértil [1]. A indústria de tapetes era a principal atividade econômica exercida pela cidade, até ser finalmente destruída por um terremoto.

2. A igreja em Sardes. Assim como em Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira, o Evangelho pode ter chegado naquela cidade através da obra missionária de Paulo (At 19.10), mas não devemos descartar a hipótese de que testemunhas e convertidos no dia de Pentecostes poderiam ter sido os primeiros a levar o Evangelho para aquela região (At 2.5-11). Embora reputado como estando vivo, o anjo da igreja de Sardes na realidade estava "morto": sua liderança e a maioria dos membros da igreja não tinham vida espiritual, embora se chamassem cristãos e seguissem um ritualismo religioso. Alguns poucos crentes desta igreja eram realmente vivos e não contaminaram suas vestes. A palavra "Sardes" quer dizer os que escapam ou os que saem. Ao relacionarmos esse nome com a condenação de Cristo a essa igreja, o resultado será uma descrição perfeita das igrejas da época da Reforma[2].

II. A IDENTIFICAÇÃO DO MISSIVISTA

À igreja em Sardes, apresenta-se Jesus como aquele que tem os sete Espíritos de Deus. Sete representa a totalidade e a perfeição divina. Diante do trono de Deus, “ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (Ap 4.5). Os sete olhos do Cordeiro “são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (Ap 5.6). Deus sabe tudo e vê tudo (2Cr 16.9). Nada em Sardes seria escondido de Jesus. Dessa forma, o Senhor realça a ação plena do Espírito Santo na Igreja de Cristo. Somente o Consolador pode vivificar uma igreja morta.

1. O que tem os sete Espíritos de Deus (Ap 3.1). A expressão “sete espíritos” descreve a plenitude do Espírito Santo que é único. Era urgente que Sardes soubesse: sem o Espírito Santo, a vida é impossível. É o Espírito Santo quem dá plena vitalidade a uma igreja local. No Novo Testamento vemos o Espírito Santo atuando na igreja de várias formas, dentre as quais: Revestindo de poder (At 1.8; 2.1-4; 4.31), trasladando sobrenaturalmente (At 8.39-40), orientando na separação de obreiros (At 13.1-3), participando das decisões conciliares (At 15.28-29), direcionado as missões (At 16.6-10), distribuindo dons à igreja (1 Co 12.11). Ao mudar de atitude em relação ao Espírito, uma igreja local pode iniciar um processo de morte. Os passos para isso são geralmente os seguintes: Resistir ao Espírito (At 7.51), entristecer ao Espírito (Ef 4.30), extinguir /apagar o Espírito (1 Ts 5.19), blasfemar contra o Espírito (Mt 12.31-32) [3].

2. Os sete Espíritos de Deus. Existe apenas um único Espírito Santo (Ef 4.4). “[...] da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono” (Ap 1.4); Trata-se do Espírito Santo em plenitude (sete é um número de plenitude). Observemos “da parte”, “da parte daquele que é” (Deus Pai). O versículo 5 (o Filho) e o Espírito. Os versículos 4 e 5 englobam a Trindade. E “da parte dos sete Espíritos” deve ser interpretado como simbólico ou haverá mais de três na Trindade. Através da sétupla ação do Espírito Santo, o Senhor Jesus traz novamente vida as igrejas que, à semelhança de Sardes, deixaram-se esvaziar de Deus.

3. As sete estrelas. Apresenta-se Jesus, também, como o soberano da Igreja. Jesus não somente vê, ele também controla. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas. Sempre que vemos a palavra “estrela”, ela se refere a anjos. Ele segura os mensageiros das igrejas na sua mão direita (Ap 1.16,20). Pode ver, julgar e até castigar conforme a sua infinita sabedoria.

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III. A DOENÇA E A MORTE DE UMA IGREJA

Como nas outras cartas, aquele que estava no meio dos candeeiros conhecia perfeitamente as obras e os corações das igrejas. “Tens nome de que vives, e estás morto”, esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é, enquanto que o caráter é a essência real da pessoa, o que realmente é.

1. Perda de memória. A primeira doença a atingir a igreja em Sardes foi a perda de sua memória espiritual. Embora vivesse do passado, já não conseguia lembrar-se do que recebera de Deus. Por falta de cuidado, Sardes pereceu. Espiritualmente, discípulos e igrejas caem por falta de vigilância e não são poucos os textos bíblicos que frisam a importância da vigilância, pois o pecado nos ameaça de perto (Mt 26.41; 1Pd 5.8). Falsos mestres com suas doutrinas confusas procuram devorar os fiéis (At 20.29-31). Não devemos descuidar, porque não sabemos a hora que o Senhor vem (Mt 24.42,43; 25.13; Lc 12.27-39; 1Co 16.13; 1Ts 5.6). O bom soldado toma a armadura de Deus e vigia constantemente com perseverança e oração (Ef 6.18; Cl 4.2).

2. Desleixo. Esta foi a segunda doença de Sardes: desleixo. Embora não sejamos perfeitos, nossas obras têm de primar pela excelência. A igreja e os crentes em particular não deve deixar-se enganar por causa de uma boa aparência ou reputação, mas deve continuar na doutrina dos apóstolos e cuidas para praticar os ensinamentos da sã doutrina sem desprezar o padrão divino. Sardes mantinha uma reputação e para parecer ser uma igreja viva, havia ainda alguma atividade em Sardes. O problema não foi a ausência total de obras, mas a falta de integridade delas. É possível defender a doutrina de Deus sem amar ao Senhor (Ap 2.2-4). É possível obedecer mandamentos de Deus sem inteireza de coração (2Cr 25.2). É possível fazer coisas certas com motivos errados. Os homens podem ver as obras; Deus vê os corações, também. No âmbito do Reino de Deus, a perfeição é o padrão mínimo aceitável, conforme recomenda o apóstolo: “se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12.7.8). A perfeição na Igreja de Cristo só é possível se amarmos o Cristo da Igreja.

3. Descaso para com o remanescente fiel.Poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras”(v. 4): no meio de uma igreja quase morta, Cristo possuía um remanescente fiel. Embora as cartas fossem destinadas às sete igrejas, as mensagens precisavam ser aplicadas na vida de cada crente, porque a salvação não é coletiva, mas individual. Isso nos lembra de que o julgamento final será individual (Ap 2.23; 22.12). Cada crente receberá “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10). Aqueles crentes que ainda ‘respiravam’ “Andarão de branco junto comigo(v. 4); eles já andavam de vestidura branca, sem as manchas do pecado e esperavam andar com Jesus de roupas brancas, representando a vitória final sobre o pecado: “Linho finíssimo, resplandecente e puro...são os atos de justiça dos santos” (Ap 19.8); “Pois são dignos” (v. 4): estes fiéis são dignos, não por mérito próprio, mas por serem pessoas salvas pela graça, pessoas que andam nas boas obras determinadas por Deus (Ef 2.8-10) e a promessa de Cristo a estes é: “De modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida” (v. 5). O "Livro da Vida" é mencionado várias vezes na Bíblia (Ap 3.5; 13.8; 17.8; 20.12,15; 21.27; Fp 4.3). Paulo afirma que seus cooperadores tinham seus nomes escritos no Livro da Vida (Fp 4.3). Cristo afirma que os nomes dos vencedores que se mantêm puros não seriam apagados deste livro (Ap 3.5).

CONCLUSÃO

O processo de morte de uma igreja pode acontecer lentamente, passando quase despercebido. Os próprios membros da congregação e outros que de fora olham para ela, podem pensar que tudo esteja bem. Porém, o Cabeça da Igreja é aquele que anda no meio dos castiçais e possui olhos como chama de fogo, julga os corações e conhece o estado verdadeiro de cada igreja e cada crente. Eu creio firmemente que Ele nos convida, com esta lição, a ouvir o que o Espírito diz às igrejas. “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3.5). “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18).